O melhor livro de Sarney

 

Take um: Tancredo, pai da esperança democrática, estrela perdida da bandeira Brasileira, sucumbi em uma sequência interminável de operações.
Naquele momento, o país assistiu, em uma eleição indireta, a vitória da chapa de Tancredo Neves. Era como uma final de campeonato Mundial. A comemoração não foi pouca.
E não era pra menos: só de pensar que a presidência podia ser assumida por Paulo Maluf gerava calafrios.
A morte de Tancredo propulsou o medo da continuidade do regime autoritário, e ao mesmo tempo nos ofereceu como herança a posse de um dos políticos mais controversos de toda nossa história.
Take dois: José Sarney, o amigo do Glauber Rocha, assumiu a presidência do Brasil.
O político que tinha uma base forte no nordeste e que conhecia as asas de Brasília como poucos ganhou novos holofotes.
Então, o iluminado José Sarney estava sendo acompanhado de perto por milhões de atentos – e nem tão atentos assim – brasileiros, ávidos por uma maré tranquila de transição.
Desde que nasceu o acadêmico José Sarney acumula escândalos. Têm de todos os tipos, pra todos os gostos. Você, freguês, pode escolher. É uma feira. 

 

Honoráveis Bandidos, do incansável jornalista Palmério Dória, relata esses escândalos, oferecendo detalhes, permitindo com o que leitor seja o mais potente holofote. Olha aí.
Pra mim, o mais importante do livro, que saiu pela corajosa Geração Editorial, do Luis Fernando Emediato, é a possibilidade do leitor ter um raio-x da história política contemporânea do nosso país.
Sarney, que é um exemplo do coronealismo, está atualmente representado em fragmentos de políticos em várias cidades do Brasil. 
Take três: Quando alguns acharam que a democracia estava forte com a tomada de posse do pai do Maranhão, se enganaram.
Ainda falta bastante para conseguirmos entender a democracia. E fazer com ela valha. Ler Honoráveis Bandidos é um bom começo.

And the Oscar goes to…

É isso, pessoal! Nossa primeira promoção está encerrada, e foi um grande sucesso. Agradecemos a Zahar, pela parceria, a todos que ajudaram a divulgá-la e a todos os participantes também, é claro. 

Chega de enrolação, vocês devem estar curiosos para saber se levaram ou não esta belíssima edição de Alice.

Desculpem-me por usar essas palavras que não são minhas, mas… the Oscar goes to

Até a próxima!

Humor britânico de qualidade

Neste post irei fazer minha resenha do livro O Vendedor de Armas, de Hugh Laurie, lançado no começo do ano aqui no Brasil pela editora Planeta. Mas, antes de qualquer coisa, uma informação se faz necessária: The Gun Seller, a versão original do livro, é de 1996. Ou seja, antes de o ator tornar-se o muldialmente famoso Dr. House. Antes mesmo de sua aparição em sucessos como Stuart Little e O Homem da Máscara de Ferro
O  Vendedor de Armas - Hugh Laurie

O aviso acima faz-se necessário à medida que é impossível não comparar o personagem da trama com o sagaz Dr. House. O humor aguçado é o ponto forte do livro, que possui um forte viés jamesbondiano e um anti-herói super carismático.

Tudo começa quando Thomas Lang, um ex-militar de elite, recebe uma proposta de 100 mil dólares para matar um empresário americano. Cínico, sarcástico e irônico, mas de forma alguma um assassino profissional. Lang procura descobrir as implicações desta proposta e acaba envolvido numa trama internacional, com muitas mortes, brigas e, é claro, lindas mulheres. O personagem sofre poucas e boas com as reviravoltas do enredo, dessas que você tem que ficar voltando as páginas para saber quem são os heróis e quem são os vilões.

O livro é extremamente gostoso de ler. Laurie brinca o tempo inteiro com chavões literários e interage de forma intensa com o leitor. É curioso observar como uma pessoa pode ter tantos talentos ao mesmo tempo. Ator, diretor, músico e agora escritor – não necessariamente nessa ordem. E quem sabe não adicionemos roteirista num futuro próximo. O ator/escritor/músico/diretor está trabalhando no roteiro para a adaptação cinematográfica do livro, cujos diretos foram vendidos à MGM, mas, assim como seu segundo romance, The Paper Soldier, ainda não saiu do forno.

Se pensarmos no fato de que o Dr. Gregory House possui inúmeras características semelhantes com um dos mais importantes detetives da literatura policial, Sherlock Holmes, me arrisco a dizer que pode ser até que o criador da série, David Shore, tenha lido o livro de Laurie. Estou apenas palpitando, mas, se não leu deu muita sorte, pois a leitura bastava para ter certeza de que Hugh Laurie era o cara certo para o papel.

Como escritor, Hugh Laurie é brilhante, fascinante, envolvente e cheio de humor.

New York Times Book Review

Hugh Laurie nasceu em Oxford em 1959. Na Universidade de Cambridge, participou de uma das edições da revista acadêmica, sendo que a última delas ganhou o Perrier Award no Festival Fringe de Edimburgo em 1981.
Desde a universidade, ele tem sido escritor, ator, diretor e músico.
Em sua carreira, tem se destacado em diversos filmes como Stuart Little, O Homem da Máscara de Ferro e Razão e Sensibilidade.
Como protagonista da aclamada série House, Hugh Laurie tem conquistado milhares de fãs ao redor do mundo.

Som e imagem na Flip

Roqueiro, letrista, vocalista, guitarrista e fotógrafo, o americano Lou Reed é autor de livros de fotografia e, em julho, lança no Brasil Atravessar o Fogo, obra que reúne 310 canções. Reed experimentou o boom de sua carreira nos anos 60, quando a então desconhecida banda The Velvet Underground chamou a atenção do líder da pop art Andy Warhol. No começo dos anos 70, Reed iniciou sua carreira solo, emplacando o sucesso Walk on the Wild Side.
Além de fazer música, o americano também contribuiu para publicações de prestígio. Em 1996, escreveu um diário para a revista americana The New Yorker sob o título The Aches and Pains of Touring. No fim de 2001 escreveu, especialmente para o The New York Times, por ocasião do 11 de setembro, o poema Laurie, if you’re sadly listening, em que tenta humanizar a tragédia. Faz uma ponte entre literatura e música ao lançar, em 2003, o álbum The Raven, inspirado na obra do escritor Edgar Allan Poe. 

Fonte: Flip

O Peso do Silêncio

Às vezes sofro de uns preconceitos tolos, mas que no final das contas acabam se superando e me ensinando bastante. O que é bom, pois abre horizontes que eu jamais pensaria explorar. Há alguns dias vi nas livrarias o novo lançamento da Harlequin Books, O Peso do Silêncio. Oquêi, a capa é sombria, a resenha promissora, mas me peguei perguntando: Harlequin Books?
A verdade é que para mim, a Harlequin Books se resumia àqueles romances de banca água com açúcar. Nada contra, mas pelo que propunha o novo livro, me parecia um tanto fora do contexto. A Nathália foi a responsável por me deixar ciente de que a editora não se restringia aos romances de banca, e no final das contas acabei convencido a comprar o livro.
E, para calar a minha boca – pelo menos o meu preconceito –, surpreendi-me absolutamente extasiado ao fim da história, ao constatar que se tratava de um romance policial de extremo bom gosto.

O Peso do Silêncio foge um pouco à característica violenta dos romances policiais. Sou fã de Rubem Fonseca e seu jeitão descarado, bem como de Dennis Lehane, autor que tem a violência como tema principal. Heather Gudenkauf é mais sutil, bem mais sutil, talvez por isso mesmo tenha caído como uma luva na Harlequin Books.

O livro tem uma trama policial onde o aspecto psicológico dos personagens é mais importante do que o próprio caso policial em si. Não à toa, a história é contada, a cada capítulo, por pontos de vistas diferentes. São seis personagens que dão vida a narrativa, revelando, sob os mesmos acontecimentos, aspectos, sentimentos e desejos completamente diferentes.
Tudo acontece quando acontecimentos isolados levam ao sumiço de duas amigas de apenas 7 anos, Calli e Petra. A primeira deixou de falar anos atrás devido a um acidente familiar e encontrou na amiga sua voz e alma gêmea. Calli torna-se a maior testemunha dos acontecimentos, e é nessa hora que percebemos como o silêncio pode ser sufocante.
Tensão até a última página, O Peso do Silêncio é daqueles livros que não dá para parar de ler. Daqueles que você puxa o ar e só solta quando fecha o livro. Se não ficar sem ar antes, acaba envolvido por uma trama de altíssima qualidade.
Com maestria e beleza, Heather Gudenkauf nos oferece um romance em que são contrapostos sentimentos de culpa e desejo, devoção e honestidade, situações que permeiam sonhos, escolhas e experiências durante o curso de nossas vidas.Uma narrativa vívida e honesta que vai permanecer na memória por muito tempo depois de a última página ser lida.

Heather Gudenkauf mora em Dubeque, Iowa, com seu marido, três filhos e um pointer alemão de pelo curto e muito mimado. Atualmente se dedica ao seu próximo romance. O Peso do Silêncio foi indicado ao Edgar Award 2010 na categoria Melhor Romance de Estreia.

Sérgio Buarque é o melhor título

 

Existe uma coleção da Azougue editorial, do Serginho Cohn, que se chama Encontros. Essa série reúne as melhores entrevistas dadas por ímpares da cultura. Tem Darcy Ribeiro, Jorge Mautner, Gilberto Gil, Jorge Luís Borges, Oiticica, um bando de gente.
Eu já queria ter falado nessa coleção há algum tempo, mas resolvi matar dois coelhos com uma cajadada só.
Nesses últimos dez dias, li “Sérgio Buarque de Hollanda”, com a organização do Renato Martins.
Um livro denso, de 216 páginas sem ilustrações, que traz a compreensão do autor de Raízes do Brasil sobre arte, literatura, política entre outros assuntos.
Sérgio Buarque foi um dos grandes intérpretes do nosso país. Então o que se pode esperar desse livro é um tráfego pela cultura brasileira.
Indico ler sem aquele pragmatismo natural que o retilíneo, que a linearidade acaba exigindo.
O bom mesmo é ler Sérgio Buarque, seja na coleção Encontros ou nos livros de sua autoria, sem roteiro.
Ah, e nessa semana, ueba!, tivemos podcast e texto. Ou seja, my friend, a escolha é do freguês.

Promoção 'Alice'

Promoção encerrada. Confira aqui quem levou esse livraço.

Começa hoje a nossa primeira promoção. Do dia 1º ao dia 7 de maio, vocês, leitores, puderam escolher qual livro resenhado aqui no blog seria sorteado na nossa primeira promoção. E o vencedor foi Alice, da Zahar.

E para concorrer a este belo exemplar de Alice, é muito fácil. Basta seguir o @subtitulo no Twitter e dar RT na mensagem abaixo. Só isso e você já estará concorrendo. A promoção vai até domingo, 16. Na segunda a gente conta que leva o livro pra casa. 

#promoção Eu quero ‘Alice’ da @editora_Zahar, que o @subtitulo está sorteando. http://bit.ly/a0YJQW

Quem quer ser perfeito?

416 páginas
Confesso que estava sentindo falta de uma ficção científica nesse estilo. Sou fã de clássicos como Admirável Mundo Novo, 1984, Eu RobôFeios é um daqueles livros que te faz pensar em como algumas escolhas que fazemos podem chegar um dia a um nível impensado, mas possível. 

A resenha publicada na Livraria da Folha, classifica o livro como “um casamento entre 1984, de George Orwell, e Diário da Princesa, de Meg Cabot”. Apesar de parecer esdrúxulo, acredito que seja bem por aí mesmo. Não li nenhum livro da série O Diário da Princesa, mas a abordagem jovem dada a história torna-o um provável sucesso juvenil.

Mas, de forma alguma, o livro se restringe a ser apenas mais um sucesso teen. Não que um livro erigido a sucesso teen não tenha qualidades, pelo contrário, muitos são fantásticos. Mas o pano de fundo de Feios é o que chama a atenção, e promete fazer algumas cabecinhas entrarem nos eixos.

Em um mundo de perfeição, o normal é feio.

Tendo como mote a surreal popularidade das cirurgias plásticas entre jovens, o autor cria um universo onde, ao completarem 16 anos, as pessoas são submetidos a uma série de cirurgias plásticas a fim de torná-las “perfeitas”. Nesse mundo futurista, a protagonista Tally Youngblood não vê a hora de completar a idade limite e tornar-se perfeita, até a hora em que se vê envolvida com um grupo de resistência e percebe que a perfeição não é tão perfeita assim. Nossa, muita perfeição para uma frase só…

As críticas ao atual culto à beleza são muitas, juntamente com as feitas às nossas primitivas formas de utilização dos recursos naturais. Tomara que a série consiga dar uma sacudida na cabeça dos jovens leitores. Acho que é o principal objetivo do autor. Ganhar dinheiro também, é claro.

O pior é ter que esperar a continuação do livro. São quatro volumes, sendo o segundo, Perfeitos, com previsão de lançamento em agosto.

Uma boa notícia é que, segundo o autor, já estão abertas as conversas para uma possível adaptação cinematográfica da série. Vamos esperar!

Enquanto você não compra o livro, vai sentindo o gostinho aí com o primeiro capítulo.


Nascido no Texas, Scott Westerfeld é autor de diversos romances aclamados para adultos e jovens, entre eles Tão Ontem, Os Primeiros Dias, e a série Feios, best seller do New York Times. É também designer e atualmente vive entre Sydney, na Austrália, e Nova York.

Novidades da Flip

O autor Robert Crumb, conhecido por ser um dos expoentes do movimento underground dos quadrinhos americanos, é mais um nome confirmado na Flip 2010.

Crumb lançou recentemente o polêmico Gênesis, da Conrad Editora, uma versão em quadrinhos do mais antigo livro da Bíblia. Agnóstico declarado, o autor ficou mais de quatros anos imerso nos estudos religiosos.

Crumb é o décimo autor a confirmar presença no evento literário. 

Além dele, estarão na Flip deste ano os ingleses Terry Eagleton e William Boyd, o irlandês Colum McCann, o indiano Salman Rushdie, o israelense Abraham B. Yehoshua, a iraniana Azar Nafisi, o brasileiro Fernando Henrique Cardoso e os americanos Robert Darnton e Lionel Shriver.

As informações são da Folha Online.