Admirável Mundo Novo

13 de abril de 2010, por

Resumo

Título:

Admirável Mundo Novo (Brave New World)

Autor:

Aldous Huxley

Editora:

Globo Livros

Páginas:

314

Publicação:

2001

ISBN:

9788525033475

Preço:

R$ 39,90

Avaliação:

Escrito por Aldous Huxley em 1932 , Admirável Mundo Novo projeta um tipo de sociedade àquela época virtual, onde o domínio quase integral das técnicas e do saber científico produz uma sociedade totalitária e desumanizada.

Imaginemos uma sociedade onde desde o berço, os homens são condicionados a obedecer certos padrões, fazendo as pessoas amarem o seu destino social e dele não poderem escapar. Uma sociedade onde família, sentimento, espiritualidade, velhice tornam-se valores ultrapassados; a reprodução da espécie se dá em laboratórios e a palavra “mãe” torna-se obscena; os seres são classificados em castas pré-organizadas, onde cada casta tem sua função específica e única; a liberdade inexiste, todas as atividades desenvolvidas foram pré-condicionadas; preserva-se o corpo de tal maneira que aos sessenta anos todos ainda têm uma aparência jovial; a felicidade se dá à base de sedativos, pois em qualquer momento de distração todos se sentem desviantes da norma e se entregam ao “Soma”; e o consumo sem limite, constituíam o modelo ideal de organização humana.

Nessa sociedade, deparamo-nos com uma atitude onde o trabalho deixa de ser uma atividade cansativa e chata. Os indivíduos sentem-se felizes e satisfeitos com suas funções, pois devido aos condicionamentos sofridos, no seu ambiente de trabalho as pessoas sentem-se extremamente bem. Com isso não há pretensão de crescimento individual, promoções e muito menos greve. Velhos tabus, aparentemente inabaláveis, são desconhecidos por todos. Pai, mãe, casamento, Deus, tudo é desconhecido neste admirável mundo novo. Parece estranho? Inconcebível? Talvez. Mas se nos dispusermos a pensar um pouco que seja veremos que não estamos muito longe disso. Mais de 70 anos passados deste sua publicação, a linha divisória entre ficção e realidade tornou-se mais sutil. Podemos hoje reconhecer, nesta obra, valores e comportamentos que não são mais somente literais de um mundo utópico, mas expressões de um modo de vida de um mundo real.

Mas como pode ser? Hoje? Nós condicionados? Como não conhecer e acreditar em Deus? Em uma das passagens do livro, Huxley diz que “a filosofia é a arte de encontrar más razões para aquilo em que se crê por outras más razões. As pessoas crêem em Deus porque foram condicionadas para crer em Deus”. Mas que blasfêmia! É natural a existência de Deus, dirão uns. Será mesmo? É natural também usarmos roupas e trabalharmos em troca de dinheiro? Tudo o que somos é a representação de nossa criação. Tudo que é nos passado até cerca de dez anos de idade é fator decisivo na formação de nossos princípios, crenças, dogmas, caráter etc. Não podemos deixar de perceber que somos sim condicionados a fazer certas escolhas e acreditar em certos princípios.

Para tornar cabível tal condicionamento, os “dirigentes” desse mundo utópico tinham como ponto central de sua argumentação a defesa da ideia de que em uma sociedade organizada e obediente todos são felizes e, se há felicidade, não há necessidade de nenhum tipo de conhecimento, seja científico, seja intelectual. E podemos dizer que este pensamento cabe perfeitamente na sociedade moderna. Por que vemos algumas pessoas em situações adversas felizes e satisfeitas com suas vidas? Normalmente, os mais pobres possuem menor acesso ao conhecimento e com isso preocupam-se muito pouco com certas questões existenciais e moralistas à que se preocupam certas pessoas não privadas de conhecimento. O mesmo parece se dar na educação brasileira, onde os políticos parecem pouco se importar com o péssimo nível apresentado, pois mais vale uma população ignorante do que indivíduos cultos. Estes se tornam periogosos quando desgostosos com o poder.

Você trocaria o conhecimento pela felicidade? Certa vez disse um filósofo que “feliz é aquele que vive na ignorância”. Não deixa de estar certo. Veja uma criança, sem preocupações, com a mente não desenvolvida, ocupada apenas em brincar, gozando da plenitude da felicidade. A adolescência, instantaneamente associada à rebeldia, é uma fase de transição, de adaptação forçada ao mundo cruel que a aguarda. Quando adulta essa pessoa toma consciência e se contenta com a realidade, tal qual ela é.

Mas… Sinceramente, prefiro encarar a crueldade mundana a viver esta falsa felicidade. A arte de pensar e refletir nas horas vagas é o que define se seremos meros fantoches ou se faremos nossas próprias regras, e com isso fica entendido pensar por si só, tirar suas conclusões sem sermos influenciados por meio mundo, ter nossas próprias crenças e também nossas descrenças, é o que nos torna livres, e liberdade, não tem preço.

Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados. – Aldous Huxley

2 Comentários

  • Nathália Neves 13 de abril de 2010 às 11:40

    Esse livro realmente é fantástico!!!
    E percebemos que por mais absurdo que seja, não estamos mesmo tão distante dessa loucura toda…

    No início custei a me adaptar com certos termos, mas logo a leitura fluiu!
    E, não briga comigo, Lorran, mas preferia um final diferente!!! rs

  • lorimiguel 15 de abril de 2010 às 10:53

    Esse livro é realmente muito bom! E você levantou ótimos pontos, como o fato de que cada vez estamos mais próximos de um mundo como ele descreveu no início do século XX (o que mais me lembra isso é a possibilidade de escolher os genes do seu filho hoje em dia). Também escolho poder pensar e refletir, o problema é que a grande maioria não tem força de vontade por isso. Acho que se isso mudança faria uma grande diferença na sociedade.

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