Daemon

18 de maio de 2017, por

Resumo

Título:

Daemon (Daemon)

Autor:

Daniel Suarez

Editora:

Planeta

Páginas:

432

Publicação:

2011

ISBN:

9788576655701

Preço:

R$ 44,90

Avaliação:

Você já parou para pensar aonde a nossa tecnologia, e a rapidez com que ela avança, irá nos levar? À medida que cresce o alcance da internet e os usos da tecnologia, cada vez mais parece que não existe nada que a gente não possa fazer. Já é possível fazer praticamente tudo dentro de casa funcionar remotamente, buscar qualquer tipo de informação em um clique e contar com carros cada vez mais automatizados. Poucas são as atividades, hoje, que dispensam totalmente o uso da tecnologia moderna. Tudo está conectado e a sociedade parece estar cada vez mais dependente dessa tecnologia. E é justamente nesse ponto que Daniel Suarez ataca, trazendo todas essas ideias juntas de uma forma muito plausível. Com um vasto conhecimento tecnológico, dos usos do computador à internet e os jogos, Suarez cria em Daemon um thriller tecnológico rebuscado, com um cenário plausível sobre um agente de software capaz de criar uma nova ordem mundial.

O Daemon não é só um verme da internet ou um explorador de redes. Ele não hackeia sistemas. Ele hackeia a sociedade.

Daemon é daqueles livros que já começam acelerados, prende o leitor logo de cara deixando um gostinho de quero mais que torna impossível não ler as próximas páginas. E tudo começa quando um câncer no cérebro mata o bilionário e brilhante CEO da empresa criadora dos maiores jogos da história, ativando um daemon (um programa de computador automatizado) que estava apenas esperando o anúncio da morte desse CEO, Matthew Sobol, para desencadear uma série de ações que aos poucos impactam todos os setores da sociedade.

Enquanto o daemon começa a se espalhar por todos os computadores conectados do mundo, inclusive recrutando pessoas reais para ajudar nos ambiciosos planos de Sobol, dois personagens se destacam na batalha para parar esse agente tecnológico: o detetive Pete Sebeck e o consultor de computador Jonathan Ross. Enquanto Sebeck é praticamente um analfabeto tecnológico, não falha como o bom e velho detetive que sabe como investigar o caso, e o faz metodicamente. Por outro lado, Ross é especialista em computadores e jogos, e ajuda Sebeck através dos aspectos técnicos da investigação, enquanto o caso se torna cada vez mais complexo.

Mas apesar de destacar os dois personagens acima, trata-se de uma história que fala mais sobre máquinas do que pessoas. Nenhum dos personagens é profundamente desenhado, Suarez nos apresenta somente os aspectos mais básicos de cada um deles. Sobol é o personagem melhor construído, já que é a cabeça dele que precisa ser entendida para que possamos saber onde isso tudo vai parar. E talvez por isso mesmo eu não tenha sentido tanta falta dessa profundidade maior nos personagens, já que conhecemos o suficiente de cada um deles para entender as suas motivações. O resto seria embromação, nada que, na minha opinião, acrescentasse alguma coisa à trama.

Para facilitar o entendimento desse complexo cenário, imagine que a vida real tornou-se um jogo de vídeo game. Misture uma mente brilhante que não acredita mais na sociedade, um sistema inteligente infiltrado em praticamente tudo, máquinas controladas remotamente, desajustados que acreditam cegamente no plano, além de um ambiente virtual que usa o mundo real como campo de jogo e você tem o mais sangrento dos jogos de computador acontecendo aqui mesmo, no mundo real.

Ele nunca tinha se sentido por fora diante de um avanço tecnológico, mas aquela voz do além era o mais próximo de magia que ele já havia presenciado.

Não sei de TI o suficiente para dizer o quanto da trama é ficcional ou de fato é razoável, mas o pouco que sei me permite afirmar que, uma vez conectado à rede, nada é tão seguro quanto parece. É claro que se trata de ficção, de um plano absurdo aparentemente à prova de falhas que parece improvável de acontecer, mas pensando no lado “real” da trama vejo tecnologias que são nada que não tenhamos presenciado até hoje, apenas extrapoladas em prol de um objetivo. E ao explorar as tecnologias modernas e a sua interconexão com tudo, Daemon analisa de forma assustadora como os computadores podem manipular os mercados e como os governos buscam esses poderes para si próprios. O que torna bastante perturbador pensar até onde vai a nossa segurança frente à onipresença tecnológica, que poderíamos chegar a tal ponto e que sejamos tão vulneráveis quanto o autor narra.

Ao que parecia, as pessoas não tinham pensado ainda que estavam confiando suas fortunas em uma tecnologia que não entendiam, e isso seria a ruína deles.

O grande porém nisso tudo é que o livro tem uma continuação, que a Editora Planeta não lançou por aqui. Na verdade, acredito que nem Daemon tenha feito algum sucesso no Brasil. Não vi nenhuma outra resenha e comprei o meu exemplar em queima de estoque numa feira de livros aqui do Rio. Era uma pilha incontável de exemplares novos em folha por míseros R$ 5,00. Resta a quem não tem dificuldades em ler textos em inglês adquirir o e-book ou mesmo a edição física importada do FreedomTM. A contar pelo primeiro livro, não posso deixar de ler este segundo.

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