Adeus, China
Não Ficção / 18 de julho de 2012

Longa vida ao chefe Mao! Longa, longa vida! Durante a Revolução Cultural Chinesa, a frase acima foi estampada, entre outros, em posteres, fábricas, universidades e escolas. Numa dessas escolas – em Qingdao – estudava um jovem chamado Li Cunxin (para ajudar – ou não -, pronuncia-se “Lee Schwin Sing”). Li Cunxin nasceu em 1961 numa área rural perto da cidade de Qingdao. Filho de camponeses, viveu uma infância de extrema pobreza durante os anos da Revolução Cultural, mas teve a vida virada de cabeça para baixo quando, aos 11 anos de idade, foi escolhido para ingressar na Academia de Dança de Pequim. São os detalhes da trajetória de Li que conhecemos em Adeus, China – O Último Bailarino de Mao. Não tenho a menor hesitação em dizer que Adeus, China foi um dos melhores livros que tive oportunidade de ler. É uma biografia belíssima, escrita de forma leve cativante, praticamente romanceada. Agrada até quem não gosta de biografias, não tenho dúvidas. Mas é, acima de tudo, uma lição de vida das mais cruéis. “Mundo cruel” eu pensei, “em que crianças competiam com ratos por comida.” A pobreza da China rural dos anos 70 e 80 não é única, e muito…

O Arquiteto do Esquecimento
Romance Policial / 16 de outubro de 2010

É incrível como livros que tenham a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo de sua trama conseguem me prender de uma forma inexplicável. Se eu acreditasse em reencarnação diria que fui, de alguma forma, partícipe dessa parte negra – mais uma – da história. Apesar desse pano de fundo, atrevo-me a dizer que este não é o principal elemento do livro que resenho hoje. Mesmo tendo uma importante participação, a Segunda Guerra Mundial é apenas mais um elemento da trama de O Arquiteto do Esquecimento – na minha opinião, claro! O Arquiteto do Esquecimento é daqueles livros de causar taquicardia. É claro que tem seus momentos mais parados, como quando o autor precisa recuperar um pouco a história do personagem, mas nada que diminua de forma abrupta o envolvimento da trama. É um verdadeiro vira páginas que me rendeu mais algumas olheiras. O livro conta a história – dramática, muito dramática – de Doran Visich, um judeu polonês que, além de sofrer nas mãos dos nazistas – carrega uma culpa indescritível (daquelas que normalmente não temos culpa, mas que tornamos maior do que se realmente fôssemos culpados) desde a sua infância. Apesar de todos os dramas de Doran –…

Pequena Abelha
Romance / 27 de setembro de 2010

“Uma obra de arte: perturbadora, excitante e muito comovente.” – The Independent Disse tudo, a pessoa que escreveu estas palavras para o The Independent. E se eu tivesse que escolher apenas uma palavra, “perturbadora” seria ela. Pequena Abelha é daqueles livros que te levam a uma realidade que a gente custa a acreditar que possa ser real. Aquela sujeirinha que jogamos pra baixo do tapete para que tudo possa parecer bem. Realmente perturbadora a história da Pequena Abelha. O livro leva o nome de uma das principais personagens da trama, mas gosto muito mais do título original: The Other Hand. Apesar de todo o drama que é vivido nas 272 páginas desse excelente livro, The Other Hand exala um pouco da mensagem de esperança proposta ao final do livro. Sem contar que acredito que por mais superficiais que possam parecer os dramas de Sarah comparados ao de Pequena Abelha, as duas histórias tem a mesma importância para a construção da trama. Você também teve problemas, Sarah. Está enganada se pensa que isso não é comum. Vou lhe dizer: os problemas são como o oceano – cobrem dois terços do mundo. O livro tem como start um primeiro encontro entre as duas…

O Peso do Silêncio
Romance Policial / 12 de maio de 2010

Às vezes sofro de uns preconceitos tolos, mas que no final das contas acabam se superando e me ensinando bastante. O que é bom, pois abre horizontes que eu jamais pensaria explorar. Há alguns dias vi nas livrarias o novo lançamento da Harlequin, O Peso do Silêncio. Oquêi, a capa é sombria, a resenha promissora, mas me peguei perguntando: Harlequin? A verdade é que para mim, a Harlequin Books se resumia àqueles romances de banca água com açúcar. Nada contra, mas pelo que propunha o novo livro, me parecia um tanto fora do contexto. A Nathália foi a responsável por me deixar ciente de que a editora não se restringia aos romances de banca, e no final das contas acabei convencido a comprar o livro. E, para calar a minha boca – pelo menos o meu preconceito –, surpreendi-me absolutamente extasiado ao fim da história, ao constatar que se tratava de um romance policial de extremo bom gosto. O Peso do Silêncio foge um pouco à característica violenta dos romances policiais. Sou fã de Rubem Fonseca e seu jeitão descarado, bem como de Dennis Lehane, autor que tem a violência como tema principal. Heather Gudenkauf é mais sutil, bem mais…