Perfeitos
Ficção / 31 de janeiro de 2011

Viu como o tempo passa rápido. Reclamei em maio, na minha resenha de Feios, que “o pior é ter que esperar a continuação do livro”. Pois aqui está ela. E nem doeu tanto esperar. E quem leu a minha resenha, sabe que eu me empolguei bastante com Feios. Não por ter uma trama fantástica, mas sim pelos valores incutidos nela. Scott Westerfeld levanta uma discussão muito atual e faz da série um ótimo ponto de reflexão para os jovens leitores – não só para os jovens, mas principalmente. Digo a série, pois Perfeitos segue o mesmo caminho. E este segundo livro é ainda mais “filosófico” – se é que posso dizer assim – do que o primeiro. Se em Feios a trama é permeada principalmente pela busca da beleza ideal e da degradação da natureza, em Perfeitos a massificação intelectual e a relação de divindade são temas interessantíssimos. Borbulhante é o grande termo do livro. Juro que eu ia tentar explicar aqui o significado de ser, ou estar, borbulhante, mas percebi que essa é uma das grandes sacadas do livro, e que talvez seja mais interessante a percepção que vocês terão durante a leitura. Mas apesar de tudo, – e…

Feios
Ficção / 10 de maio de 2010

Confesso que estava sentindo falta de uma ficção científica nesse estilo. Sou fã de clássicos como Admirável Mundo Novo, 1984, Eu Robô… Feios é um daqueles livros que te faz pensar em como algumas escolhas que fazemos podem chegar um dia a um nível impensado, mas possível. A resenha publicada na Livraria da Folha, classifica o livro como “um casamento entre 1984, de George Orwell, e Diário da Princesa, de Meg Cabot”. Apesar de parecer esdrúxulo, acredito que seja bem por aí mesmo. Não li nenhum livro da série O Diário da Princesa, mas a abordagem jovem dada a história torna-o um provável sucesso juvenil.Mas, de forma alguma, o livro se restringe a ser apenas mais um sucesso teen. Não que um livro erigido a sucesso teen não tenha qualidades, pelo contrário, muitos são fantásticos. Mas o pano de fundo de Feios é o que chama a atenção, e promete fazer algumas cabecinhas entrarem nos eixos. Em um mundo de perfeição, o normal é feio. Tendo como mote a surreal popularidade das cirurgias plásticas entre jovens, o autor cria um universo onde, ao completarem 16 anos, as pessoas são submetidos a uma série de cirurgias plásticas a fim de torná-las…

Admirável Mundo Novo
Ficção Científica / 13 de abril de 2010

Escrito por Aldous Huxley em 1932 , Admirável Mundo Novo projeta um tipo de sociedade àquela época virtual, onde o domínio quase integral das técnicas e do saber científico produz uma sociedade totalitária e desumanizada. Imaginemos uma sociedade onde desde o berço, os homens são condicionados a obedecer certos padrões, fazendo as pessoas amarem o seu destino social e dele não poderem escapar. Uma sociedade onde família, sentimento, espiritualidade, velhice tornam-se valores ultrapassados; a reprodução da espécie se dá em laboratórios e a palavra “mãe” torna-se obscena; os seres são classificados em castas pré-organizadas, onde cada casta tem sua função específica e única; a liberdade inexiste, todas as atividades desenvolvidas foram pré-condicionadas; preserva-se o corpo de tal maneira que aos sessenta anos todos ainda têm uma aparência jovial; a felicidade se dá à base de sedativos, pois em qualquer momento de distração todos se sentem desviantes da norma e se entregam ao “Soma”; e o consumo sem limite, constituíam o modelo ideal de organização humana. Nessa sociedade, deparamo-nos com uma atitude onde o trabalho deixa de ser uma atividade cansativa e chata. Os indivíduos sentem-se felizes e satisfeitos com suas funções, pois devido aos condicionamentos sofridos, no seu ambiente de…