O que aconteceu com o preço dos livros?
Mercado Editorial / 25 de maio de 2017

Confesso que estou assustado! Passei os últimos 4 anos afastado do mercado editorial e esse retorno tem sido um baque. Desde que encerrei as atividades da editora me vi distante de notícias do setor, lançamentos, dados de vendas e até mesmo das livrarias. Não que eu tenha deixado de visitá-las, mas a frequência diminuiu bastante, e andei mais voltado aos livros de negócios do que às obras de ficção e biográficas. A partir do momento em que decidi reativar o blog, voltei a dar atenção às notícias, passei a olhar novamente com mais calma as novidades nas prateleiras das livrarias e comparei os valores dos livros nas resenhas que eu fiz há alguns anos com os valores atuais. E a mudança foi drástica em dois quesitos: o preço dos livros parece ter dado um salto quântico e os dados de compra caíram bastante*. Ok, a economia brasileira foi pro buraco nesses últimos anos, mas esse gap que pude perceber nessa minha rápida avaliação foi uma paulada na cabeça — senão na do mercado editorial, na minha. E foi aí que comecei a me perguntar qual era a atual situação do mercado editorial. Como eu já disse aqui em cima, a economia brasileira foi uma catástrofe nos últimos anos e a inflação voltou a subir…

Minha experiência como Editor de Livros
Mercado Editorial / 26 de abril de 2017

Não conheço nenhum editor. Confesso que durante a minha incursão na carreira conheci mais autores, leitores, blogueiros, agentes literários e até livreiros do que editores. Curioso, mas verdadeiro. Acho válida a declaração pois quero deixar claro que esse é um relato estritamente pessoal. Não tenho a pretensão de criar um texto explicativo sobre a profissão, e sim contar um pouco de como foi ter vivido essa experiência. Vou me permitir pular a história de como me tornei editor de livros, pois apesar de não ser conhecida por todos, ela já foi contada resumidamente na página em que falo sobre a história deste blog. Quem tiver essa curiosidade é só dar um pulo lá. Vou deixar esse espaço aqui para falar de experiências, sentimentos e oportunidades do momento mais especial da minha trajetória profissional. E não é fácil saber por onde começar… Foram tantas intensas experiências vividas num curto período de tempo que chega a ser difícil tentar racionalizar tudo. Por isso vou começar pelo fim, pelo meu último e-mail aos autores, já que este também foi um momento em que eu não fazia ideia de por onde começar. Essa despedida foi uma das coisas mais complicadas que já tive que fazer na minha vida, escrevi milhares de e-emails nos dois anos…

A Cauda Longa e a sua importância para o e-commerce
Mercado Editorial / 23 de maio de 2016

No meu post anterior falei sobre a Amazon, empresa que pode ser apresentada como um prelúdio à Teoria da Cauda Longa. Um prelúdio, pois é a Cauda Longa em ação, mas apenas exemplificada, sem qualquer tipo de explicação ou conceitos. Esse tipo de visão da Amazon, pensando no macro, ao invés do micro, apostando numa gama maior de produtos e contando com a capacidade do cliente em escolher o que deseja, é uma característica nascida puramente das possibilidades advindas da internet e dos recentes avanços tecnológicos. E vira de cabeça para baixo a forma de se vender todos os tipos de mídia. Revirou a indústria da música, do cinema e o mercado editorial. Foi observando esse cenário que, a partir de 2004, Chris Anderson, editor chefe da revista Wired de 2001 a 2012, começou a traduzir essas mudanças de forma a entender como a fragmentação dos mercados e as possibilidades de oferta infinita estavam revolucionando o mercado online. O Conceito por trás da teoria da Cauda Longa A teoria da Cauda Longa trata da escassez e da abundância. As economias do século XX sempre foram calcadas na produção de hits, uma vez que os espaços de venda têm suas limitações, e apenas alguns poucos…

A criação da Amazon
Mercado Editorial / 19 de maio de 2016

Hoje pouco se questiona a capacidade da internet de fazer dinheiro. Cada vez mais, e mais rápido, ela é capaz de criar novos milionários quase que da noite para o dia. Mas nem sempre foi assim. Em 1994, quando Jeff Bezos fundou a Amazon, a internet ainda era um caminho pouco estudado e compreendido. O modelo de vendas por catálogo Bezos trouxe para o comércio eletrônico um modelo de negócios bastante antigo, iniciado em 1886, quando um homem chamado Richard Sears comprou um caixote de relógios enviado por engano a um comerciante local que não quis ficar com a mercadoria. Sears usou a ferrovia para vender seus relógios aos agentes ferroviários ao longo dela. Dez anos depois, a Sears, Roebuck & Co. (Sears, como ficaria conhecida) lançaria o “Wish Book”, catálogo semanal enviado por entrega postal com o tamanho parecido com o de um catálogo telefônico e com, aproximadamente, 200 mil itens e variações em oferta. Foi como evolução desse modelo de vendas por catálogo que começou, no início da década de 1990, a ascensão do comércio eletrônico. O que se fez foi aproveitar um método já utilizado, testado e aprovado, ampliando suas funcionalidades e necessidades com o uso da tecnologia. Pela internet era…

O livro digital e as perspectivas para o Mercado Editorial
Mercado Editorial / 13 de maio de 2015

O livro digital, ou eBook, surgiu em 1971, com Michael Hart e o projeto Gutenberg, que tinha como objetivo digitalizar livros e oferecê-los gratuitamente, e nada mais é do que um livro disponível para leitura em aparelhos e mídias digitais. O livro digital surge, então, a partir do momento em que se forjou a possibilidade de transpor o conteúdo dos livros para serem lidos em aparelhos eletrônicos. Os primeiros livros eram lidos diretamente na tela do computador, armazenados em disquetes, CD’s, pendrives ou no próprio HD. Desde o passo inicial de Hart, muitos acontecimentos foram importantes para a popularização do ebook como o conhecemos hoje, como o surgimento da Amazon, em 1995. Mas foi em 2006 que a Sony lançou um aparelho que mudou nossos conceitos sobre livro eletrônico: o Sony Reader, que trouxe a inovadora tecnologia da tinta eletrônica, que permite a leitura de forma bastante similar à do livro. No ano seguinte, a Amazon lança o Kindle e, em 2010, a Apple lança o revolucionário iPad. A partir daí, as previsões a cerca do fim do livro começam a ganhar cada vez mais forma, já que a modernização dos equipamentos eletrônicos começa a alcançar níveis surpreendentes de inovação e usabilidade. Mas, por enquanto, apesar do crescimento das vendas…