Minha experiência como Editor de Livros

26 de abril de 2017, por

Não conheço nenhum editor. Confesso que durante a minha incursão na carreira conheci mais autores, leitores, blogueiros, agentes literários e até livreiros do que editores. Curioso, mas verdadeiro. Acho válida a declaração pois quero deixar claro que esse é um relato estritamente pessoal. Não tenho a pretensão de criar um texto explicativo sobre a profissão, e sim contar um pouco de como foi ter vivido essa experiência.

Vou me permitir pular a história de como me tornei editor de livros, pois apesar de não ser conhecida por todos, ela já foi contada resumidamente na página em que falo sobre a história deste blog. Quem tiver essa curiosidade é só dar um pulo lá. Vou deixar esse espaço aqui para falar de experiências, sentimentos e oportunidades do momento mais especial da minha trajetória profissional.

E não é fácil saber por onde começar… Foram tantas intensas experiências vividas num curto período de tempo que chega a ser difícil tentar racionalizar tudo. Por isso vou começar pelo fim, pelo meu último e-mail aos autores, já que este também foi um momento em que eu não fazia ideia de por onde começar. Essa despedida foi uma das coisas mais complicadas que já tive que fazer na minha vida, escrevi milhares de e-emails nos dois anos em que estive à frente da Editora Subtítulo, mas sempre passando paixão no que falava. Esse último foi completamente diferente. Foi um baque ter que falar aos autores que eu não poderia mais ajudá-los nessa jornada, ao mesmo tempo em que tentava não desanimá-los e deixar claro que o fim da Editora não podia representar o fim do sonho deles.

Lançamento da Editora Subtítulo, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro de 2011, quando me tornei editor de livros

Lançamento da Editora Subtítulo, na Bienal do Livro do Rio de 2011

Afinal, a própria Editora Subtítulo foi a realização de um sonho, iniciado nos idos de 2010 com a criação do blog Subtítulo. Uma época de bastante mudança na literatura brasileira, da qual tenho muito orgulho de ter feito parte. Presenciei as editoras engatinhando nas redes sociais, a explosão de blogs falando sobre livros, muita gente se juntando para discutir literatura e, o mais importante de tudo, muitos autores nacionais se destacando. Não falo aqui da literatura nacional que sempre esteve nas prateleiras, mais rebuscada, elitizada, e sim de uma literatura comercial, de entretenimento, e tão boa (senão melhor) quanto às dos best sellers vindos de fora.

Vi de perto o nascimento de vários dos best sellers brasileiros atuais, ouvi críticas de que autor nacional não presta e acredito que fui parte desse momento de mudança. Foi justamente nessa época de adaptação que surgiu a editora. Buscando a qualidade que eu sabia existir na nova safra de escritores nacionais apostei nesses novos talentos, focando na literatura jovem de ficção. Garimpei originais de todos os cantos possíveis a fim de encontrar livros que me encantassem, e que pudessem, por consequência, encantar também o público leitor.

E tenho muito orgulho em dizer que encontrei alguns desses autores. Não tive, infelizmente, a oportunidade de publicar todos eles, mas reafirmo a certeza de que ainda tem muita gente boa para aparecer, e me orgulho a cada novo nome estampado na capa de uma nova edição como se também fosse uma conquista minha. Quanto às publicações da Subtítulo, posso garantir que foram feitos com o carinho e o esmero de um eterno amante das letras. Tentei acertar cada pequeno detalhe, para que tornasse melhor a já excelente obra contida nas páginas dos livros que publicamos.

Foram apenas 7 títulos publicados, sem contar os que ficaram no prelo e, infelizmente, não tivemos tempo de publicar. Mas é incrível como todo esse processo foi intenso!

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Ser editor de livros foi a experiência mais excitante e apaixonante da minha trajetória profissional. Foram dias maravilhosos, onde pude ter o prazer de conhecer pessoas e projetos incríveis. Mentes e histórias que não tenho dúvida de ter potencial para se fixar no imaginário dos leitores mundo afora. Eu pensei em falar sobre cada um deles (dos livros e dos autores), mas achei que ficaria pessoal demais, tendencioso (rs). Sou completamente apaixonado por cada um desses livros aqui em cima. Quem me conhece sabe que sou leitor voraz, adoro novas histórias. Mas descobrir esses excelentes textos ainda desconhecidos foi algo de outro mundo. Ter essas pessoas incríveis ao meu lado nessa empreitada, torcendo junto, trabalhando junto, criando junto, me fez sentir co-autor dessas obras. Me perdoem os autores, longe de mim querer “roubar” o mérito deles. O que eu quero dizer é que é uma experiência tão intensa que, pelo menos para mim, me faz sentir parte da história desses livros. Não sei se é assim com todo editor ou se tem gente que trata a coisa de forma burocrática, por isso quis falar um pouco da minha experiência, de como foi, para mim, esse trabalho tão gratificante.

Tenho certeza de que a Editora Subtítulo foi apenas um primeiro passo na carreira desses autores, e que verei ainda o brilho de todos eles qualquer dia desses (alguns até já estão brilhando). O mercado editorial se abriu a esses novos autores nacionais e, como disse algumas vezes aqui em cima, tenho a mais absoluta certeza de que ainda tem muita gente boa por aí. Espero ainda esbarrar com muitas delas.

Ser editor de livros foi, sem dúvida, uma das minhas grandes realizações na vida!

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