O Arquiteto do Esquecimento

16 de outubro de 2010, por

Resumo

Título:

O Arquiteto do Esquecimento

Autor:

Marcos Bulzara

Editora:

Life

Páginas:

470

Publicação:

2010

ISBN:

9788562660160

Preço:

39,90

Avaliação:

É incrível como livros que tenham a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo de sua trama conseguem me prender de uma forma inexplicável. Se eu acreditasse em reencarnação diria que fui, de alguma forma, partícipe dessa parte negra – mais uma – da história. Apesar desse pano de fundo, atrevo-me a dizer que este não é o principal elemento do livro que resenho hoje. Mesmo tendo uma importante participação, a Segunda Guerra Mundial é apenas mais um elemento da trama de O Arquiteto do Esquecimento – na minha opinião, claro!

O Arquiteto do Esquecimento é daqueles livros de causar taquicardia. É claro que tem seus momentos mais parados, como quando o autor precisa recuperar um pouco a história do personagem, mas nada que diminua de forma abrupta o envolvimento da trama. É um verdadeiro vira páginas que me rendeu mais algumas olheiras.

O livro conta a história – dramática, muito dramática – de Doran Visich, um judeu polonês que, além de sofrer nas mãos dos nazistas – carrega uma culpa indescritível (daquelas que normalmente não temos culpa, mas que tornamos maior do que se realmente fôssemos culpados) desde a sua infância.

Apesar de todos os dramas de Doran – que como eu disse não são poucos – é essa culpa que norteará todo o destino do personagem. É engraçado como certos detalhes nos levam a algumas analogias curiosas. Há alguns dias estava tomando um chopp com alguns amigos e veio à tona a questão: você se arrepende de alguma coisa na sua vida? Acho que a pergunta encaixa bem com o questionamento da capa do livro: “que parte da sua vida você gostaria de apagar?”

Confesso que viajei lendo esse livro. Lembrei do encapetado que eu era quando criança e das coisas das quais me “arrependo”. Me arrependo entre aspas, pois não me arrependo ao ponto de preferir esquecer tais experiências. A minha resposta à pergunta dos meus amigos foi não; não me arrependo de nada. É claro que me arrependo pelo mal que eu possa ter causado – e definitivamente causei em alguns momentos – a algumas pessoas, mas não no sentido de “seu eu pudesse, teria feito diferente”. Não, não teria. Pois sem essa vivência, eu não teria crescido e aprendido que aquilo não foi legal.

Enfim, não vou entrar muito nessa, pra vocês não acharem que eu fugi ao assunto. Mas é justamente aí que eu acho que mora o grande trunfo de Doran Visich: essa dor e culpa são o que o movem a se tornar uma pessoa melhor. Ele não quer esquecer o passado, mas percebe que este não pode ser reescrito, o que o leva a tomar a decisão mais acertada de sua vida.

Que parte da sua vida você gostaria de apagar?

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